...Era apenas mais um dia da semana, um dia corriqueiro como outro qualquer, e especificamente neste dia eu me sentia profundamente abatido por causa das desilusões que a vida nos empoe, pairava sobre mim o marasmo do ostracismo e a angustia devorava-me fazendo com que eu questionasse a bondade de Deus.
Assentado em uma cadeira da qual recepcionava pessoas quando me vi abduzido por uma abstração que tirou-me momentaneamente da realidade dos fatos.
...De repente vozes ecoavam de dentro do elevador até que a sua porta se abriu e em um susto terrível vi ser defenestrado deste elevador uma figura decrépita todo ensangüentado, ele trazia cravado em sua cabeça uma coroa cheia de enormes espinhos, que deixavam o seu rosto irreconhecível...
Aqueles que o arremessaram para fora do elevador a pontapés saíram logo em seguida e continuavam impetrando o mais viril flagelo.
Depois de muito espancá-lo pegaram-lhe pelas vestes que estava empapada em sangue o arremessaram de volta da forma mais truculenta para o elevador.
Após a porta se fechar este elevador descia lentamente enquanto vozes de escárnio se misturavam ao som das bordoadas que estavam sendo aplicadas naquele homem...
Na medida em que o elevador se distanciava o barulho das vozes e dos socos iam diminuindo...
...Era por mim que aqueles desgraçados procuravam!
...Era a mim que eles queriam!
...Sou eu o grande culpado!
Por causa dos meus pecados e dos pecados dos meus pais aquele homem foi brutamente violentado!
...Mas eu fiquei calado enquanto aquele inocente era martirizado, depois o levaram para um monte e lá o humilharam o barbarizaram mais ainda, deixando-o completamente nu pegaram enormes cravos e pregaram tanto as suas mãos como os seus pés, e o dependuraram para que o mesmo morresse lenta e lancinantemente...
...Mas vi o seu olhar na minha direção, e mesmo sem nada dizer eu entendi que ele fez tudo aquilo por amor.
Então eu despertei para a realidade cotidiana e entendi que não há nada que se compare ao que foi feito por mim naquela cruz!
Denise Cerqueira
Jerusalém e eu
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Isaías cap. 53
1 Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do Senhor?
2 Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca; não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.
3 Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
4 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.
7 Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca.
8 Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado; e quem dentre os da sua geração considerou que ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo?
9 E deram-lhe a sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte, embora nunca tivesse cometido injustiça, nem houvesse engano na sua boca.
10 Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.
11 Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.
12 Pelo que lhe darei o seu quinhão com os grandes, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu.
Texto de Jaime Alves do Blog do Padre Galego


